Quando há um acidente com material radioativo, é comum ouvirmos dos apresentadores de noticiários expressões como “a área está extremamente radioativa”, “a região está com altos níveis de radiação” e outras frases desprovidas de significado.Afinal, o que realmente ocorre quando há um acidente com esse tipo de material? Há duas possibilidades: o material radioativo pode apenas irradiar ou, além disso, também contaminar o meio ambiente. Vamos analisar o primeiro caso, a irradiação.
Em geral, o material radioativo possui duas embalagens: o recipiente interno que o contém e um recipiente externo, que é uma blindagem. A função da blindagem é atenuar a radiação emitida por esse material. Portanto, se ela se romper, os objetos e seres vivos que estiverem nas proximidades estarão expostos a essa radiação.
Irradiação é a energia característica emitida por uma fonte radioativa. O objeto ou ser vivo que recebe essa energia está sendo irradiado. No caso em questão, a fonte emissora de energia é um material radioativo, mas há vários exemplos de outras emissões de radiação, como o calor de uma fogueira, a luz de um poste ou a buzina de um carro. Todas essas radiações diminuem de intensidade com o quadrado da distância. Ou seja, se estivermos a uma certa distância dessas fontes (por exemplo, um metro) e nos afastarmos o dobro desse valor (dois metros), a intensidade da energia que chega até nós diminuirá quatro vezes.
Isso significa que no caso de um acidente com material radioativo onde há apenas irradiação, a medida de proteção adotada pelas autoridades competentes é o isolamento de uma área em torno do material radioativo, com raio grande o suficiente para garantir que fora dessa região o nível de irradiação seja insignificante.
Esse procedimento aplica-se a fontes que emitem radiações como a do tipo gama, emitida por vários materiais radioativos. A radiação gama é uma onda eletromagnética, como, por exemplo, as ondas de rádio, TV, microondas e a luz visível; a diferença está no fato de sua energia e, conseqüentemente, sua freqüência serem muito maiores.
Além dos raios gama, os materiais radioativos também emitem radiação em forma de partículas, como a radiação alfa e a radiação beta, mas elas têm um alcance muito menor do que a gama. A radiação alfa não consegue penetrar na pele humana, portanto materiais que emitem somente esse tipo de radiação só oferecem perigo se forem ingeridos ou inalados. A radiação beta tem um poder de penetração maior do que o da alfa, entrando alguns milímetros na pele – o que pode acarretar o aparecimento de câncer de pele e sérios problemas nos olhos – mas ela não consegue atravessar alguns milímetros de alumínio ou o tecido das roupas que vestimos normalmente.
Será que um objeto ou um ser vivo que esteve próximo a um material radioativo e foi irradiado fica com um pouco de radiação dentro dele e vai liberando-a aos poucos? A resposta é não, pois não há como estocar qualquer tipo de radiação, seja ela proveniente de materiais radioativos ou não. Por exemplo, quando desligamos a luz da sala, ela fica escura imediatamente. Não conseguimos guardar luz dentro de um saco de papel!
Link para o artigo: http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol8/Num2/v08n02a11.pdf

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